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domingo, 17 de julho de 2011

ARTETERAPEUTA, UM FACILITADOR DO PROCESSO DE CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS...


A oralidade de contar histórias surgiu no momento em que o homem sentiu necessidades de comunicar suas experiências.
Homens primitivos se reuniam em rodas e ali um de frente para o outro, compartilhavam suas memórias, seus medos, seus prazeres, suas expressões... os mais velhos da tribo para os mais novos...
Antes de escolher uma história, é necessário o arte terapeuta conhecer o grupo do qual será compartilhado a história. Diante de suas histórias, sua faixa etária, a necessidade do grupo, da escola naquele momento é que vai encaixar a história escolhida.Fantasia e realidade se confundem, falamos de personagens, falamos de nossas histórias subjetivas, projetamos ou refletimos no personagem nosso eu, trabalhamos com os símbolos, com as metáforas existentes com a realidade do outro, do ouvinte que se envolve na história. Fica mais fácíl trabalharmos a criança através de um conto, ela falará tudo sem se sentir ameaçada, afinal esta falando "do personagem".

"Ouvir histórias é um dos recursos de que as crianças dispõem para desenhar o mapa imaginário que indica seu lugar, na família e no mundo. Histórias de crianças que saem ou são expulsas de suas casas, ou que perdem o rumo de volta depois de um passeio mais ousado e se deparam com perigos inimagináveis, funcionam como antecipações que lhes permitem dominar o medo do ‘mundo cruel’ que, mais dia, menos dia, terão que enfrentar".
           Diana Lichtenstein Corso e Mário Corso, no Livro Fadas no Divã – Psicanálise nas Histórias Infantís.
Depois de uma escuta sobre a turma da oficina e escolhido a história desta turma, o arte terapeuta depois de contado, vivenciado, interpretado a história
ele convida a todos a materializar o que aquela história lhe causou, que imagem veio do seu inconsciente só para você, que arquétipos coletivos da história da humanidade o conto te gerou...

Estudando uma musica que foi sucesso infantil dos anos 80, descobri que ela foi gerada a partir de um filme, do filme fiz alguns estudos da cor azul e assim vai... deixe sua imaginação correr solta...

VAMOS VIAJAR....
Pássaro Azul ( Trem da Alegria)
Composição : Michael Sullivan e Paulo Massadas

Eu sei uma estória
Vem correndo, vem depressa, vou contar
Na trilha do vento
Você pode encontrar o amor
Voa pássaro azul
Voa de norte a sul
Traz pra sempre a esperança
Faz o mundo criança
Num abraço bem forte
Traz pra sempre a sorte pra mim
Não deixe o sonho acabar
Meu lindo pássaro azul
Solto pelo ar
Fazendo a vida sempre mais bonita
Voa canção
E leva o meu coração
Faz brilhar a paz
Que a vida é de quem nela acredita


O PÁSSARO AZUL  
                        
       O filme e uma gracinha... o livro foi escrito de 1908. Porém essa reedição do filme (tem mais antigas e mais atuais) foi feita em 1940. Para quem esta em busca do seu pássaro azul, eu recomendo...  para  ter acesso ao filme ele esta disponível em locadoras modernas como Blockbuster e Netmovies. Professores, é um ótimo filme para se discutir onde fica, onde esta, o que é a felicidade...

  
Sinopse

Mytyl (Shirley Temple) é uma menina mal humorada e que não dá valor à família que tem e aos amigos. Ela captura um pássaro e o prende em uma gaiola. Até que ela e seu irmão Tytyl (Johnny Russell) recebem com pesar a notícia de que o pai irá para a guerra e ficam tristes. Até então seu mundo é preto e branco. Até que ela recebe a visita de Luz (Sybil Jason), uma fada, que irá lhe guiar e ao seu irmão, juntamente com a gata e o cachorro agora transformados em gente, em busca do pássaro azul da felicidade, que poderá estar no passado, presente ou no futuro. No passado eles reencontram os avós já falecidos, no presente eles são adotados por uma família rica porém egoísta, e no futuro eles veem a irmã que ainda terão.
Ao retornar da viagem, ela descobre que a felicidade sempre esteve em sua casa, na figura do pássaro, agora azul, preso em sua gaiola.

Curiosidades

- Shirley Temple era à essa época a criança mais famosa de Hollywood.
- O filme veio após ela ter sido negada a participar do filme O Mágico de Oz, estrelado por Judy Garland, pois seu estúdio negou-se a empresta-la a MGM.
- O filme foi inspirado na peça homônima de Maurice Maeterlinck.
- Esta foi a primeira vez que Shirley deixou de interpretar uma menina doce, pois Mytyl era na verdade uma garota impetuosa.
- Infelizmente esta mudança não agradou ao público, que não se acostumou com a nova imagem de Shirley.
- A atriz Gale Sondergaard que fez a gata Tylette, havia sido escada para ser a Bruxa Má de O Mágico de Oz, mas como o papel exigia feiúra, ela foi dispensada.
- Duas outras versões: 1918 e 1976, com o mesmo título.
- A pequena atriz Caryll Ann Ekelund, que participa da sequencia do futuro, morreu pouco após as filmagens, em decorrências de queimaduras em uma festa do Dia das Bruxas.

Prêmios

- Indicado ao Oscar de Melhor Fotografia Colorida e Efeitos Especiais.

A COR AZUL

Azul: Profundidade, lealdade, confiança, sabedoria, inteligência, fé - cor da espiritualidade, verdade, eternidade.
Azul-marinho: conhecimento, o mental, integridade, poder, seriedade.

Ele estimula uma introspecção para que possamos perceber com maior clareza fatos e acontecimentos da vida pessoeal, ele é uma porta para o inconsciente, daquilo que temos de mais profundo.


Pesquisando sobre o pássaro azul descobri um texto interessante...


Israel Pedrosa, no livro “Da cor à cor inexistente”, escreve que a lenda do pássaro azul, símbolo da felicidade inatingível, nasceu da analogia secreta do azul com o inacessível. Diante do azul – formula o autor –, a lógica do pensamento consciente cede lugar à fantasia e aos sonhos, que emergem dos abismos mais profundos de nosso mundo interior. Por sua indiferença, impotência e passividade aguda que fere, o azul atinge o portal do inconsciente.

Deus anunciou: “Que haja luz!”, fazendo-nos a mágica do princípio. E, separando o negrume do caos, e criando-se o dia, abriu o cortinado azul dos oceanos e do firmamento. Fez também um cenário de aventuras, pra que dominássemos os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos e todas as feras, e todos os répteis que rastejam sobre o chão, em todas as cores, mescladas de azul. Atinando em Deus, mais que no realismo físico das cores, Da Vinci formulou: “o azul é composto de luz e trevas, de um preto perfeito e de um branco muito puro como o ar”. E disse Goethe: “o preto que clareia torna-se azul”, percebendo, na criação, a maravilhosa passagem da treva à luz. E, no desespero pela libertação das trevas, fizemo-nos Ulisses, e singramos a imensidão azul dos sete mares, e dos sete mil Danúbios azuis, na ânsia de apalparmos a matéria invisível dos sonhos. Fizemo-nos barqueiros de Colombo, na “azzurra” esquadra para o mundo novo. Fizemo-nos Quixotes, pelas andanças em busca de devaneios, campeando nas quimeras da pureza. No deslizar da história, e tentando vencer a gravidade do chão, fizemo-nos, enfim, ritualísticos e desde sempre Ícaros. Contemplamos a terra como um sonho todo em azul, nas aventuras de Buck Rogers; fizemo-nos Flash Gordon a cruzar o espaço sideral, e a mostrar-nos o tom sobre tom do grande azulejo terreno, antecipando a comprovação grave e comovida de Iuri Gagárin, a contemplar o planeta: –A Terra é azul!, ...solta, liberta, girando e girando silente, em seus matizes de índigo-blue, na tela calma do infinito.

No grande tear da existência, ao tecer as fibras mais ordinárias do estar e conviver no mundo, fazemos do azul a cor do Nirvana; dependuramos em nós a pedra-amuleto de água-marinha, na crença propiciatória das viagens tranqüilas; pintamos a casa nos tons de azul, se a queremos morada da felicidade. E, se buscamos na fonte o batismo da inspiração, tingimo-nos de azul, e escrevemos uma crônica toda em azul. E azul será, imaginária e livre, a crônica de um amanhecer acinzentado, no espaço branco e preto do jornal.
__________________________
Romildo Sant’Anna, escritor, livre-docente, recebeu o Prêmio ‘Casa de las Américas” – Havana. É curador do Museu de Arte Primitivista ‘José Antônio da Silva’ – São José do Rio Preto –SP - Brasil

Vamos a mais uma historia com o azul...

O VESTIDO AZUL


Num bairro pobre de uma cidade distante, morava uma garotinha muito bonita. Ela freqüentava a escola local. Sua mãe não tinha muito cuidado, e a criança quase sempre se apresentava suja. Suas roupas eram muito velhas e maltratadas.
O professor ficou penalizado com a situação da menina. "Como é que uma menina tão bonita, pode vir para a escola tão mal arrumada?"
Separou algum dinheiro do seu salário e, embora com dificuldade, resolveu comprar-lhe um vestido novo. Ela ficou linda no vestido azul.

Quando a mãe viu a filha naquele lindo traje, sentiu que era lamentável que sua filha, vestindo aquela roupa nova, fosse tão suja para a escola.

Por isso, passou a lhe dar banho todos os dias, pentear seus cabelos e cortar suas unhas. Quando acabou a semana, o pai falou:
- Mulher, você não acha uma vergonha que nossa filha, sendo tão bonita e bem arrumada, more em um lugar como este, caindo aos pedaços? Que tal você ajeitar a casa? Nas horas vagas, eu vou dar uma pintura nas paredes, consertar a cerca e plantar um jardim.

Logo, a casa destacava-se na pequena vila pela beleza das flores que enchiam o jardim, e o cuidado em todos os detalhes.

Os vizinhos ficaram envergonhados por morarem em barracos feios e resolveram também arrumar as suas casas, plantar flores, usar pintura e criatividade. Em pouco tempo, o bairro todo estava transformado.
Um homem, que acompanhava os esforços e as lutas daquela vestido azul.

Não era intenção daquele professor consertar toda a rua, nem criar um organismo que socorresse o bairro. Ele fez o que podia, fez a sua parte. Fez o primeiro movimento que acabou fazendo com que outras pessoas motivassem-se por melhorias.

Será que cada um de nós está fazendo a sua parte no lugar que vive? Ou por acaso somos daqueles que somente apontam os buracos da rua, as crianças à solta sem escola e a violência do trânsito?

Lembremos que é difícil mudar o estado total das coisas. Que é difícil limpar toda a rua, mas é fácil varrer a nossa calçada. É complicado mudar o mundo, mas é possível plantar uma rosa azul.

 

domingo, 15 de maio de 2011

O QUE É ARTETERAPIA?


 A ARTE É A COMUNICAÇÃO MAIS ANTIGA DA HUMANIDADE...
Para Jung arte é:

“Produzir um estado psíquico em que o sujeito comece a fazer experiências com o seu ser, um ser em que nada mais é definitivo nem irremediavelmente petrificado; é produzir um estado de fluiz de transformação e de vir a ser”. (Jung, 1999, p.44 in Profª Maria Cristina Fontes Urrutigaray, em Introdução ao Estudo da Arteterapia, Apostila A Vez do Mestre, Módulo I, p. 11)
Primeiramente vamos pensar na arte como forma de expressão do ser humano. Poderíamos supor que o homem das cavernas já utilizava a arte como meio de catarse, uma forma de colocar pra fora seus sentimentos e emoções. E muitas foram às manifestações de dor, angústias, luta, morte, vitórias e alegrias representadas nas paredes das cavernas (pinturas rupestres), o que nos faz pensar em projeções do inconsciente representadas por imagens e símbolos. “A arte é quase tão antiga quanto o homem” (Fischer 1971, p. 21).
As artes em geral têm o poder de alcançar emoções profundas, como refere Brown (2000), elas podem mudar a maneira como você se sente em relação ao mundo e a si mesmo.
A arteterapia consegue examinar a forma como você olha para si mesmo e para o mundo. Seja trabalhando com argila, palavras ou teclas de um piano, um artista constrói um mundo de símbolos que libera emoções e idéias. Todos nós temos símbolos que representam nossos pensamentos e sentimentos.

Arte terapia é o recurso recurso expressivo através das diversas formas de fazer arte para o caminho do auto conhecimento, para o mergulho dentro de si mesmo, buscando  a autonomia e transformação do ser, para seu equilíbrio emocional, onde o beneficiário utiliza n. formas para sua expressão de dificuldades internas e muitas vezes inconscientes ou externas. As linguagens plásticas, poéticas e musicais, dentre outras são utilizadas não como processo estético, mas como meio, via do que guardamos de mais profundo sair. Processo criativo envolvendo atividade artística e terapeutica ampliando o conhecimento de si e dos outros, aumentando a auto estima, lidando melhor com os sintomas, estresse e experiencias traumáticas, desenvolvendo diversos recursos e desfrutando do prazer vitalizador do fazer artístico. O potencial criativo que cura.
Terapia através da ARTE:
A FALA DA ALMA.
Na Grécia Antiga (século V antes de Cristo) em Epidauro, centro de cura os individuos enfermos assistiam peças teatrias e musicais, entre outras artes depois se recolhiam a prática da "incubação" onde acreditavem receber uma indicação das divindades, pela via do sonho eencontrar assim a chave para transformar a situação gerada pela doença. Enfim o homem já utilizava a arte como alívio ou cura.


Cito algumas figuras importantes nesse processo: Florence Cane, Margareth Naumburge edith kramer nos Estados Unidos, Adrian Hill na Ingrlaterra, Ulisses pernambuco e Nise Silveira no Brasil.


No pós-guerra na Inglaterra como iniciativa de vários profissionais das áreas de Ciências Sociais, Psicologia, Arte e Pedagogia, com o intuito de resgatar os indivíduos traumatizados pela guerra, mutilados físico e emocionalmente.

A junção desses profissionais utilizando as diversas linguagens expressivas das artes como instrumento de expressão, seguindo a orientação da psicologia analítica de Carl Gustavo Jung, provou a grande eficácia do tratamento psicoterapêutico, reintegrando essas pessoas à vida e à sociedade.

A partir daí, se delineia toda uma trajetória, culminando com a formação acadêmica que hoje é conhecida como Arteterapia. É uma formação multidisciplinar, engloba vários saberes, que  dialogam com a Psicologias e  se utiliza das Artes, como meio de livre expressão. No entanto, tem toda sua especificidade, seja na teoria e especialmente na prática. No senso comum a Arteterapia como formação acadêmica é associada ás  Artes plásticas e a terapia  ocupacional.


No Brasil, podem ser elencados os trabalhos desenvolvidos por Ulysses Pernambucano já no início do século XX, trabalho que estimulou a escrita da monografia de Silvio Moura, apresentada em 1923 e intitulada como "Manifestações artísticas nos alienados". Outro nome de importância é Osorio Cesar, que desenvolveu sua prática e pesquisas no Hospital do Juquery, na cidade de Franco da Rocha-SP. Publicou em 1929 o livro "A expressão artística nos alienados", onde propõe uma forma de compreender as produções artísticas destes indivíduos. No hospital é inaugurada, oficialmente, a Oficina de Pintura em 1923 e a Escola Livre de Artes Plásticas em 1949. Outro nome importante no país é de Nise da Silveira, que desenvolveu seu trabalho no Hospital Engenho de Dentro no Rio de Janeiro.
Quanto ao campo e nomeação das práticas realizadas no Brasil como Arteterapia, tem-se o início deste campo por volta da década de 1960, com a vinda de Hanna Kwiatkowska. Hoje este campo se ampliou, com a Arteterapia estando inserida em diversos campos e com a formulação, proposta pela União Brasileira das Associações de Arteterapia - UBAAT, de critérios mínimos que norteiam a formação deste profissional.

Teorias...

De acordo com escritos freudianos (gosto muito), as imagens escapam com mais facilidade do superego do que as palavras, alojando-se no inconsciente e por este motivo o indivíduo se expressa melhor de forma não verbal.
A necessidade da comunicação simbólica origina-se deste pressuposto, como forma de auto-conhecimento no tratamento terapêutico. Quanto à Arteterapia de Orientação Psicanalítica, um autor que traz importantes contribuições teóricas é Donald Woods Winnicot. Ele foi um pediatra e posteriormente psicanalista inglês que desenvolveu uma teoria sobre o desenvolvimento emocional que dava grande importância para a criatividade como um elemento atrelado à Saúde. Além disto, instaurou o recurso do grafismo nos atendimentos que realizada, denominando a técnica criada como Jogo do Rabisco. É um autor que dá grande importância para a relação estabelecida entre paciente e terapeuta, mais do que para a verbalização de interpretações dos possíveis conteúdos inconscientes que podem estar presentes nas produções.
Conforme Philippini (a quem tenho grande admiração), a arteterapia resgata a promoção, a prevenção e a expansão da saúde. A arteterapia auxilia a resgatar desbloquear e fortalecer potenciais criativos, através de formas de expressão diversas, ademais facilita que cada um encontre, comunique e expanda a seu próprio caminho criativo e singular, favorecendo a expressão, a revelação e o reconhecimento do mundo interno e inconsciente. Destaca ainda, que em arteterapia com abordagem Junguiana, o caminho será fornecer suportes materiais adequados para que a energia psíquica plasme símbolos em criações diversas. Estas produções simbólicas retratam múltiplos estágios da psique, ativando e realizando a comunicação entre inconsciente e consciente. Este processo colabora para a compreensão e resolução de estados afetivos conflitivos, favorecendo a estruturação e expansão da personalidade através do processo criativo.

Objetivo

 

Uma obra de arte, consegue por si só, transmitir sentimentos como alegria, desespero, angústia e felicidade, de maneira única e pessoal, relacionadas ao estado espiritual que encontra-se o autor no momento da confecção.

A Arteterapia tem como objetivo, favorecer o processo terapêutico, de forma que o indivíduo entre em contato com conteúdos internos e muitas vezes inconscientes, que foram barrados por algum motivo expressando assim sentimentos e atitudes, até então desconhecidos.
A utilização de recursos artísticos (pincéis, cores, papéis, argila, cola, figuras, desenhos, recortes, ...) tem como finalidade, a mais pura expressão do verdadeiro self, não se preocupando com a estética, e sim com o conteúdo pessoal implícito em cada criação e explícito como resultado final.
As técnicas de utilização dos materiais, acima citados, são para simples manuseio dos mesmos, e não para profissionalização ou comercialização.
A busca da terapia da arte, é uma maneira simples e criativa para resolução de conflitos internos, é a possibilidade da catarse emocional de forma direta e não intencional.
As linguagens plásticas, poéticas e musicais dentre outras, podem ser mais adequadas à expressão e elaboração do que é apenas vislumbrado, ou seja complexidade implica na apreensão simultânea de vários aspectos da realidade. Esta é a qualidade do que ocorre na intimidade psíquica; um mundo de constantes percepções e sensações, pensamentos, fantasias, sonhos e visões, sem a ordenação moral da comunicação verbal do cotidiano.
Propõe-se então, a estruturação da ordenação lógica e temporal da linguagem verbal, de indivíduos que preferem ou de outros que só conseguem expressões simbólicas.
De acordo com o pensamento junguiano, deve-se observar os sonhos, pois são criações inconscientes que o consciente muitas vezes consegue captar, e que junto ao terapeuta, pode-se buscar sua significação.
Para Jung, a arte tem finalidade criativa, e a energia psíquica, consegue transformar-se em imagens e através dos símbolos, colocar seus conteúdos mais internos e profundos.







Referencia Bibliográfica:

PHILIPPINI, Angela - Cartografia da coragem: Rotas em arteterapia - Rio de Janeiro: Pomar, 2000.




sábado, 12 de março de 2011

MÚSICAS PARA SE TRABALHAR


ORAÇÃO AO TEMPO És um senhor tão bonito Quanto a cara do meu filho Tempo tempo tempo tempo Vou te fazer um pedido Tempo tempo tempo tempo Compositor de destinos Tambor de todos os rítmos Tempo tempo tempo tempo Entro num acordo contigo Tempo tempo tempo tempo Por seres tão inventivo E pareceres contínuo Tempo tempo tempo tempo És um dos deuses mais lindos Tempo tempo tempo tempo Que sejas ainda mais vivo No som do meu estribilho Tempo tempo tempo tempo Ouve bem o que te digo Tempo tempo tempo tempo Peço-te o prazer legítimo E o movimento preciso Tempo tempo tempo tempo Quando o tempo for propício Tempo tempo tempo tempo De modo que o meu espírito Ganhe um brilho definido Tempo tempo tempo tempo E eu espalhe benefícios Tempo tempo tempo tempo O que usaremos prá isso Fica guardado em sigilo Tempo tempo tempo tempo Apenas contigo e comigo Tempo tempo tempo tempo E quando eu tiver saído Para fora do teu círculo Tempo tempo tempo tempo Não serei nem terás sido Tempo tempo tempo tempo Ainda assim acredito Ser possível reunirmo-nos Tempo tempo tempo tempo Num outro nível de vínculo Tempo tempo tempo tempo Portanto peço-te aquilo E te ofereço elogios Tempo tempo tempo tempo Nas rimas do meu estilo Tempo tempo tempo tempo
Metade Oswaldo Montenegro Que a força do medo que tenho Não me impeça de ver o que anseio Que a morte de tudo em que acredito Não me tape os ouvidos e a boca Porque metade de mim é o que eu grito Mas a outra metade é silêncio. Que a música que ouço ao longe Seja linda ainda que tristeza Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada Mesmo que distante Porque metade de mim é partida Mas a outra metade é saudade. Que as palavras que eu falo Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor Apenas respeitadas Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos Porque metade de mim é o que ouço Mas a outra metade é o que calo. Que essa minha vontade de ir embora Se transforme na calma e na paz que eu mereço Que essa tensão que me corrói por dentro Seja um dia recompensada Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão. Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável. Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso Que eu me lembro ter dado na infância Por que metade de mim é a lembrança do que fui A outra metade eu não sei. Que não seja preciso mais do que uma simples alegria Pra me fazer aquietar o espírito E que o teu silêncio me fale cada vez mais Porque metade de mim é abrigo Mas a outra metade é cansaço. Que a arte nos aponte uma resposta Mesmo que ela não saiba E que ninguém a tente complicar Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
A Estrada - Cidade Negra Você não sabe O quanto eu caminhei Pra chegar até aqui Percorri milhas e milhas Antes de dormir Eu nem cochilei Os mais belos montes Escalei Nas noites escuras De frio chorei, ei , ei Ei! Ei! Ei! Ei! Ei!...(2x) A vida ensina E o tempo traz o tom Pra nascer uma canção Com a fé do dia a dia Encontro a solução Encontro a solução... Quando bate a saudade Eu vou pro mar Fecho os meus olhos E sinto você chegar Você, chegar... Psicon! Psicon! Psicon! Quero acordar de manhã Do teu lado E aturar qualquer babado Vou ficar apaixonado No teu seio aconchegado Ver você dormindo E sorrindo É tudo que eu quero pra mim Tudo que eu quero pra mim... Quero! Quero acordar de manhã Do teu lado E aturar qualquer babado Vou ficar apaixonado No teu seio aconchegado Ver você dormindo É tão lindo É tudo que eu quero pra mim Tudo que eu quero pra mim... Você não sabe O quanto eu caminhei Pra chegar até aqui Percorri milhas e milhas Antes de dormir Eu nem cochilei Os mais belos montes Escalei Nas noites escuras De frio chorei, ei , ei Ei! Ei! Ei! Ei! Ei!... Together..Together.. Meu caminho só meu pai Pode mudar Meu caminho só meu pai Meu caminho só meu pai... Together..Together..(2x)   AQUARELA - TOQUINHO PROCESSO DE CONHECIMENTO.(TERAPEUTICO)
TE CONVIDO A VIAJAR...
VIAJA COMIGO?

Pode ficar melhor, quer ver?

Vamos experimentar sem as imagens agora?

Leia e produza agora a sua própria imagem ao ler... hummm!!! VIAJE... PRODUZA O SEU PROCESSO...

AQUARELA

Toquinho

Composição: Toquinho / Vinicius de Moraes / G.Morra / M.Fabrizio
Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo...
Corro o lápis em torno
Da mão e me dou uma luva
E se faço chover
Com dois riscos
Tenho um guarda-chuva...
Se um pinguinho de tinta
Cai num pedacinho
Azul do papel
Num instante imagino
Uma linda gaivota
A voar no céu...
Vai voando
Contornando a imensa
Curva Norte e Sul
Vou com ela
Viajando Havaí
Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela
Brando navegando
É tanto céu e mar
Num beijo azul...
Entre as nuvens
Vem surgindo um lindo
Avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo
Com suas luzes a piscar...
Basta imaginar e ele está
Partindo, sereno e lindo
Se a gente quiser
Ele vai pousar...
Numa folha qualquer
Eu desenho um navio
De partida
Com alguns bons amigos
Bebendo de bem com a vida...
De uma América a outra
Eu consigo passar num segundo
Giro um simples compasso
E num círculo eu faço o mundo...
Um menino caminha
E caminhando chega no muro
E ali logo em frente
A esperar pela gente
O futuro está...
E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
A rir ou chorar...
Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela
Que um dia enfim
Descolorirá...
Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
(Que descolorirá!)
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo
(Que descolorirá!)
Giro um simples compasso
Num círculo eu faço
O mundo
(Que descolorirá!)
SE ENCONTRE... SE DESCOBRA... SE CONSTRUA... ...
...DEPOIS  DIALOGUE COM SUA CONSTRUÇÃO...
ELA TE CONTARÁ MUITAS COISAS
QUE TALVEZ VOCÊ NUNCA TINHA VISTO COM ESSE OLHAR...
O OLHAR DO INCONSCIENTE...
 QUE DESCOLORIRÁ....
Metal Contra As Nuvens (Legião Urbana)
Composição : Dado Villa-Lobos/ Renato Russo/ Marcelo Bonfá
I
Não sou escravo de ninguém Ninguém, senhor do meu domínio Sei o que devo defender E, por valor eu tenho E temo o que agora se desfaz.
Viajamos sete léguas Por entre abismos e florestas Por Deus nunca me vi tão só É a própria fé o que destrói Estes são dias desleais.
Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.
Reconheço meu pesar Quando tudo é traição, O que venho encontrar É a virtude em outras mãos.
Minha terra é a terra que é minha E sempre será Minha terra tem a lua, tem estrelas E sempre terá.
II
Quase acreditei na sua promessa E o que vejo é fome e destruição Perdi a minha sela e a minha espada Perdi o meu castelo e minha princesa.
Quase acreditei, quase acreditei
E, por honra, se existir verdade Existem os tolos e existe o ladrão E há quem se alimente do que é roubo Mas vou guardar o meu tesouro Caso você esteja mentindo.
Olha o sopro do dragão...
III
É a verdade o que assombra O descaso que condena, A estupidez, o que destrói
Eu vejo tudo que se foi E o que não existe mais Tenho os sentidos já dormentes, O corpo quer, a alma entende.
Esta é a terra-de-ninguém Sei que devo resistir Eu quero a espada em minhas mãos.
Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.
Não me entrego sem lutar Tenho, ainda, coração Não aprendi a me render Que caia o inimigo então.
IV
- Tudo passa, tudo passará...
E nossa história não estará pelo avesso Assim, sem final feliz. Teremos coisas bonitas pra contar.
E até lá, vamos viver Temos muito ainda por fazer Não olhe pra trás Apenas começamos. O mundo começa agora Apenas começamos.
Música do album de 1991 do Legião Urbana. Pensamos que é uma música de desilusão, decepção amorosa, porém Renato Russo fez por uma indignação ao Fernando Collor de Melo. A música fala de uma desilusão política. Porém Renato Russo é tão complexo, que podemos encaixar esta a música desilusão amorosa vivida, pensando em alguém que já passou pela morte... enfim... há várias conotações. Encontre a sua!
Música em sala de aula:

Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores

Geraldo André

Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção...
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...(2x)
Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão...
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...(2x)
Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão...
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...(2x)
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não...
Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição...
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...(4x)

terça-feira, 8 de março de 2011

AUTISMO: O TRABALHO COM ARTETERAPIA E PSICOLOGIA

Diagnóstico:

Autismo ou TID (Transtorno Invasivo do Desenvolvimento) é uma disfunsão global do desenvolvimento (TGD) , distúrbio comportamental com causa múltiplas,  comprometendo assim o desenvolvimento psiconeurológico.
O autismo não tem cura, ele tem tratamentos que podem ajudar o autista a melhorar, transpor suas dificuldades. Aparece nos três primeiros anos de vida. Quando o profissional trabalha com uma demanda de  autistas, a experiência  leva mais rápido ao diagnóstico. Há crianças que no primeiro encontro eu já sei que possui o autismo, mas espero alguns encontros a mais para conversar com os pais. A experiência é muito emocionante: já vi pais emocionados e felizes com o diagnóstico, já vi mãe com um certo nível de resistência e hoje estar totalmente saudável, trabalhada em relação ao filho... enfim, confesso que tenho um carinho especial pelos autistas (e Síndrome de Down também!!!).

Sintomas:

  • o autista apresenta dificuldade de se relacionar, afetado com deficit de linguagem que dificulta ainda mais a comunicação, a compreensão com o outro.
  • geralmente apresentam comportamentos repetitivos;
  •  fobias de coisas que geralmente não sentimos;
  •  são atraídos por rotação de objetos, principalmente ventiladores, rodas de carinhos;
  • possuem pouco ou nenhum contato visual;
  • resistência a mudanças;
  •  pegam nas mãos dos genitores, cuidadores, terapeutas pessoas do seu dia a dia e as encosta no que deseja;
  • apresentam choro e risos sem motivos aparentes .
  •  a auto agressão ou agressividade também podem ser vistas com menor frequência.
  • alguns nunca falaram de acordo com a linguagem da sociedade, outros terão um atraso na fala, outros como o Asperger poderão apresentar sua fala bem compreendida (alguns numa linguagem "robótica" ou infantilizada). Os autistas "mais desenvolvidos" são chamados de Síndrome de Asperger. Estes conseguem falar, escrever, sabem se comunicar...

Recebo no consultório diversos tipos de autistas:  raros os muito comprometidos, que não se envolvem como nada... nem para brincar...  muitos que só se envolvem com algo que tem interesse ou fixação (até serem trabalhados); outros que tiveram um bom acompanhamento e por isso interagem muito bem...

Alguns são extremamente ligados ao algum objeto (fixação) na sala e para que haja uma interação de verdade com eles, tenho que retirar esses objetos em nosso encontro, se não ficam se relacionando somente com eles a sessão toda! E aí não há trabalho terapêutico.
 Penso que a arteterapia atue na expressão não verbal do autista, UM CANAL DE PURA EXPRESSÃO, de auto conhecimento, permitindo assim externar seu mundo interno através do desenho, pintura, modelagem, música e etc. Processo de auto conhecimento, auto estima, aprendizagem expandindo seus recursos físico, emocionais e cognitivos a caminho de seu desenvolvimento saudável.
Creio que não há uma formula na arteterapia que indicará para cada nível um material diferente, os comportamentos irão dando as dicas do que trabalhar.

Já trabalhei com autistas que rasgam papeis, e em algum momento apresentei como psicóloga a produção de um mosaico a partir dos próprios papeis que eles rasgavam.
Para os mais agitados e com um longo tempo de atendimento, trabalhei com argila, massinha e biscuit.
A música é um recurso bem interessante...
Use sua imaginação e se não der certo, trabalhe a frustração, ela pode fazer parte do processo, como disse não há formulas, há possibilidades... que só vamos saber a medida que tentarmos.