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domingo, 15 de maio de 2011

O QUE É ARTETERAPIA?


 A ARTE É A COMUNICAÇÃO MAIS ANTIGA DA HUMANIDADE...
Para Jung arte é:

“Produzir um estado psíquico em que o sujeito comece a fazer experiências com o seu ser, um ser em que nada mais é definitivo nem irremediavelmente petrificado; é produzir um estado de fluiz de transformação e de vir a ser”. (Jung, 1999, p.44 in Profª Maria Cristina Fontes Urrutigaray, em Introdução ao Estudo da Arteterapia, Apostila A Vez do Mestre, Módulo I, p. 11)
Primeiramente vamos pensar na arte como forma de expressão do ser humano. Poderíamos supor que o homem das cavernas já utilizava a arte como meio de catarse, uma forma de colocar pra fora seus sentimentos e emoções. E muitas foram às manifestações de dor, angústias, luta, morte, vitórias e alegrias representadas nas paredes das cavernas (pinturas rupestres), o que nos faz pensar em projeções do inconsciente representadas por imagens e símbolos. “A arte é quase tão antiga quanto o homem” (Fischer 1971, p. 21).
As artes em geral têm o poder de alcançar emoções profundas, como refere Brown (2000), elas podem mudar a maneira como você se sente em relação ao mundo e a si mesmo.
A arteterapia consegue examinar a forma como você olha para si mesmo e para o mundo. Seja trabalhando com argila, palavras ou teclas de um piano, um artista constrói um mundo de símbolos que libera emoções e idéias. Todos nós temos símbolos que representam nossos pensamentos e sentimentos.

Arte terapia é o recurso recurso expressivo através das diversas formas de fazer arte para o caminho do auto conhecimento, para o mergulho dentro de si mesmo, buscando  a autonomia e transformação do ser, para seu equilíbrio emocional, onde o beneficiário utiliza n. formas para sua expressão de dificuldades internas e muitas vezes inconscientes ou externas. As linguagens plásticas, poéticas e musicais, dentre outras são utilizadas não como processo estético, mas como meio, via do que guardamos de mais profundo sair. Processo criativo envolvendo atividade artística e terapeutica ampliando o conhecimento de si e dos outros, aumentando a auto estima, lidando melhor com os sintomas, estresse e experiencias traumáticas, desenvolvendo diversos recursos e desfrutando do prazer vitalizador do fazer artístico. O potencial criativo que cura.
Terapia através da ARTE:
A FALA DA ALMA.
Na Grécia Antiga (século V antes de Cristo) em Epidauro, centro de cura os individuos enfermos assistiam peças teatrias e musicais, entre outras artes depois se recolhiam a prática da "incubação" onde acreditavem receber uma indicação das divindades, pela via do sonho eencontrar assim a chave para transformar a situação gerada pela doença. Enfim o homem já utilizava a arte como alívio ou cura.


Cito algumas figuras importantes nesse processo: Florence Cane, Margareth Naumburge edith kramer nos Estados Unidos, Adrian Hill na Ingrlaterra, Ulisses pernambuco e Nise Silveira no Brasil.


No pós-guerra na Inglaterra como iniciativa de vários profissionais das áreas de Ciências Sociais, Psicologia, Arte e Pedagogia, com o intuito de resgatar os indivíduos traumatizados pela guerra, mutilados físico e emocionalmente.

A junção desses profissionais utilizando as diversas linguagens expressivas das artes como instrumento de expressão, seguindo a orientação da psicologia analítica de Carl Gustavo Jung, provou a grande eficácia do tratamento psicoterapêutico, reintegrando essas pessoas à vida e à sociedade.

A partir daí, se delineia toda uma trajetória, culminando com a formação acadêmica que hoje é conhecida como Arteterapia. É uma formação multidisciplinar, engloba vários saberes, que  dialogam com a Psicologias e  se utiliza das Artes, como meio de livre expressão. No entanto, tem toda sua especificidade, seja na teoria e especialmente na prática. No senso comum a Arteterapia como formação acadêmica é associada ás  Artes plásticas e a terapia  ocupacional.


No Brasil, podem ser elencados os trabalhos desenvolvidos por Ulysses Pernambucano já no início do século XX, trabalho que estimulou a escrita da monografia de Silvio Moura, apresentada em 1923 e intitulada como "Manifestações artísticas nos alienados". Outro nome de importância é Osorio Cesar, que desenvolveu sua prática e pesquisas no Hospital do Juquery, na cidade de Franco da Rocha-SP. Publicou em 1929 o livro "A expressão artística nos alienados", onde propõe uma forma de compreender as produções artísticas destes indivíduos. No hospital é inaugurada, oficialmente, a Oficina de Pintura em 1923 e a Escola Livre de Artes Plásticas em 1949. Outro nome importante no país é de Nise da Silveira, que desenvolveu seu trabalho no Hospital Engenho de Dentro no Rio de Janeiro.
Quanto ao campo e nomeação das práticas realizadas no Brasil como Arteterapia, tem-se o início deste campo por volta da década de 1960, com a vinda de Hanna Kwiatkowska. Hoje este campo se ampliou, com a Arteterapia estando inserida em diversos campos e com a formulação, proposta pela União Brasileira das Associações de Arteterapia - UBAAT, de critérios mínimos que norteiam a formação deste profissional.

Teorias...

De acordo com escritos freudianos (gosto muito), as imagens escapam com mais facilidade do superego do que as palavras, alojando-se no inconsciente e por este motivo o indivíduo se expressa melhor de forma não verbal.
A necessidade da comunicação simbólica origina-se deste pressuposto, como forma de auto-conhecimento no tratamento terapêutico. Quanto à Arteterapia de Orientação Psicanalítica, um autor que traz importantes contribuições teóricas é Donald Woods Winnicot. Ele foi um pediatra e posteriormente psicanalista inglês que desenvolveu uma teoria sobre o desenvolvimento emocional que dava grande importância para a criatividade como um elemento atrelado à Saúde. Além disto, instaurou o recurso do grafismo nos atendimentos que realizada, denominando a técnica criada como Jogo do Rabisco. É um autor que dá grande importância para a relação estabelecida entre paciente e terapeuta, mais do que para a verbalização de interpretações dos possíveis conteúdos inconscientes que podem estar presentes nas produções.
Conforme Philippini (a quem tenho grande admiração), a arteterapia resgata a promoção, a prevenção e a expansão da saúde. A arteterapia auxilia a resgatar desbloquear e fortalecer potenciais criativos, através de formas de expressão diversas, ademais facilita que cada um encontre, comunique e expanda a seu próprio caminho criativo e singular, favorecendo a expressão, a revelação e o reconhecimento do mundo interno e inconsciente. Destaca ainda, que em arteterapia com abordagem Junguiana, o caminho será fornecer suportes materiais adequados para que a energia psíquica plasme símbolos em criações diversas. Estas produções simbólicas retratam múltiplos estágios da psique, ativando e realizando a comunicação entre inconsciente e consciente. Este processo colabora para a compreensão e resolução de estados afetivos conflitivos, favorecendo a estruturação e expansão da personalidade através do processo criativo.

Objetivo

 

Uma obra de arte, consegue por si só, transmitir sentimentos como alegria, desespero, angústia e felicidade, de maneira única e pessoal, relacionadas ao estado espiritual que encontra-se o autor no momento da confecção.

A Arteterapia tem como objetivo, favorecer o processo terapêutico, de forma que o indivíduo entre em contato com conteúdos internos e muitas vezes inconscientes, que foram barrados por algum motivo expressando assim sentimentos e atitudes, até então desconhecidos.
A utilização de recursos artísticos (pincéis, cores, papéis, argila, cola, figuras, desenhos, recortes, ...) tem como finalidade, a mais pura expressão do verdadeiro self, não se preocupando com a estética, e sim com o conteúdo pessoal implícito em cada criação e explícito como resultado final.
As técnicas de utilização dos materiais, acima citados, são para simples manuseio dos mesmos, e não para profissionalização ou comercialização.
A busca da terapia da arte, é uma maneira simples e criativa para resolução de conflitos internos, é a possibilidade da catarse emocional de forma direta e não intencional.
As linguagens plásticas, poéticas e musicais dentre outras, podem ser mais adequadas à expressão e elaboração do que é apenas vislumbrado, ou seja complexidade implica na apreensão simultânea de vários aspectos da realidade. Esta é a qualidade do que ocorre na intimidade psíquica; um mundo de constantes percepções e sensações, pensamentos, fantasias, sonhos e visões, sem a ordenação moral da comunicação verbal do cotidiano.
Propõe-se então, a estruturação da ordenação lógica e temporal da linguagem verbal, de indivíduos que preferem ou de outros que só conseguem expressões simbólicas.
De acordo com o pensamento junguiano, deve-se observar os sonhos, pois são criações inconscientes que o consciente muitas vezes consegue captar, e que junto ao terapeuta, pode-se buscar sua significação.
Para Jung, a arte tem finalidade criativa, e a energia psíquica, consegue transformar-se em imagens e através dos símbolos, colocar seus conteúdos mais internos e profundos.







Referencia Bibliográfica:

PHILIPPINI, Angela - Cartografia da coragem: Rotas em arteterapia - Rio de Janeiro: Pomar, 2000.




3 comentários:

  1. Olá querida, Roberta.

    Vim agradecer a visita e dizer que és bem vinda no meu espaço.
    Volte sempre!

    Já estou te seguindo também.

    Ósculo Santo!

    ***Shalom***

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